Dissecando o Timbre #01: A Anatomia e a Ciência da Tagima E1 Asphalt Ripper (Edu Ardanuy)

trastes Jescar Inox sobre a escala de Pau-Marfim."
Exposição da Guitarra Tagima E1 Asphalt Ripper Signature Edu Ardanuy

Um dos instrumentos mais admirados da linha Signature e presença de peso no TDT 2026 (Tagima Dream Team – 40 Anos) no Royal Palm Plaza, a Tagima E1 Asphalt Ripper (Signature Edu Ardanuy) chama atenção imediata pelo seu visual Racing Orange. Mas, no mundo da luteria, o que faz uma guitarra ser verdadeiramente excepcional e se manter no topo não é a cor, e sim a engenharia por trás de cada peça.

Neste primeiro episódio da série Dissecando o Timbre, nós abrimos o “capô” dessa máquina já consagrada. Deixando os mitos de lado e focando na física e na mecânica, vamos traduzir a ficha técnica para você entender exatamente como cada componente afeta o seu som e a sua tocabilidade — seja você um iniciante buscando seu primeiro instrumento profissional ou um veterano do shred.

  1. A Base Acústica e Estrutural (Madeiras e Escala)

Muitos acham que a madeira “muda o som” como num passe de mágica. Na física da guitarra, a madeira funciona como um filtro e suporte estrutural para a vibração das cordas.

Corpo em Cedro Nobre (O Equilíbrio): O Cedro é o queridinho brasileiro pra guitarras com ponte flutuante, exatamente por ser mais leve que madeiras densas como mogno ou freixo. Uma ponte Floyd Rose tem um bloco de metal pesado; se o corpo também fosse denso demais, a guitarra “quebraria as costas” do músico no palco. O cedro resolve isso e entrega um ataque rápido (a nota responde imediatamente à palheta) e médios muito focados, garantindo que a guitarra apareça no meio da bateria e do baixo.

Braço em Pau-Marfim (O Hard Maple Brasileiro): Para aguentar a força de 40 a 50 kg de tensão das cordas sem empenar, o braço precisa ser uma rocha. O Pau-Marfim é ultra rígido. Ele não absorve a vibração da corda; ele a rebate. Isso gera um sustain natural longo e aquele estalo imediato quando você palheta.

Comprimento de Escala 25.5″: É o padrão das guitarras Superstrato. As cordas ficam um pouco mais esticadas do que numa Les Paul. Para quem está aprendendo, isso significa que os graves não embolam na distorção pesada e os harmônicos saltam da palheta com facilidade.

  1. A Engenharia da Velocidade (Escala Escalopada e Raio 14″)

A E1 Asphalt Ripper foi desenhada para a velocidade extrema e conforto (o famoso Shred).

Escala Escalopada: A madeira entre os trastes é “escavada”. Para o iniciante, o benefício é simples: a ponta do seu dedo nunca encosta na madeira, apenas na corda de metal. O atrito é zero. Para o profissional, isso garante controle total de vibrato com um esforço físico quase nulo.

Raio de 14″ (Escala Plana): Diferente de guitarras antigas que têm o braço curvo, o raio de 14 polegadas é plano. A vantagem técnica? Você pode puxar um bend de 2 tons e a nota não “morre” engasgada no meio do braço. Além disso, permite que nosso Guitar Tech regule as cordas extremamente baixas.

"Detalhe do headstock e primeiros trastes da Tagima E1 Asphalt Ripper, destacando a trava de afinação Gotoh Lock Nut em aço temperado."

  1. O Motor da Tocabilidade: Trastes Jescar Inox Médio Jumbo

Se existe um upgrade definitivo em uma guitarra, é este. A maioria das guitarras usa trastes de Níquel, que amassam com o tempo e fazem a guitarra trastejar.

A E1 usa Aço Inox da marca Jescar (EUA), o padrão ouro da indústria mundial.

Para o seu bolso e som: O inox é praticamente indestrutível. Dura décadas sem precisar de retífica. Como o metal é polido como um espelho, na hora de dar um bend, a corda desliza como se estivesse sobre vidro molhado. O tamanho Médio Jumbo é perfeito: alto o suficiente para “agarrar” a corda sem raspar na madeira, mas sem ser um degrau que machuca os dedos de quem aperta com força.

  1. Estabilidade Blindada: Ferragens Gotoh Japonesas

A ponte flutuante é onde as guitarras amadoras falham (elas desafinam). A E1 utiliza o ecossistema completo da Gotoh.

Ponte Floyd Rose GE1996T: Considerada por muitos luthiers superior à original alemã. O segredo está nas lâminas (Knife Edges) usinadas em aço temperado (não cegam com o atrito, garantindo o retorno da afinação ao grau zero). Ela possui o sistema Stud Lock, que trava os pivôs por dentro da madeira, transformando ponte e corpo num bloco sólido e eliminando as folgas que roubam o sustain.

Tarraxas SG381 e Lock Nut: As tarraxas possuem a tecnologia Rock-Solid (eixos sem folga) e Lubri-Coat (girando suaves como manteiga). Você afina com precisão cirúrgica e trava a corda no Nut de aço temperado. O resultado? Você pode fazer “Dive Bombs” (alavancadas extremas) à vontade, a guitarra não desafina um centésimo de tom.

Detalhe dos captadores Zaganin Pickups configuração HSH e da ponte flutuante Gotoh GE1996T com alavanca na guitarra Tagima E1 Asphalt Ripper
  1. O Coração Sonoro: Trio Zaganin Pickups e Eletrônica

A configuração HSH (Humbucker – Single – Humbucker) aliada a uma Chave de 5 Posições, 1 Volume e 1 Tone é a matriz mais versátil do mundo.

Ponte (Gas Fuel Alnico Humbucker): Desenhado por Márcio Zaganin, ele foca no ganho, mas com o “tempero” do ímã de Alnico (no lugar do Cerâmico). Isso significa dinâmica: se você palhetar forte, ele ruge com graves focados que batem no peito. Se baixar o volume da guitarra, ele limpa perfeitamente, soando orgânico, sem a frieza excessiva da compressão cerâmica.

Meio (ZST Classic Single Coil): Um captador simples e autêntico. Nas posições intermediárias (2 e 4 da chave), ele se junta aos humbuckers (fazendo o auto-split) e entrega aquele som anasalado e estalado (“Quack”) idêntico ao de uma Stratocaster vintage. Perfeito para dedilhados limpos e ritmos de funk.

Braço (Nitro Fuel Alnico Humbucker): A “voz de cantor” da guitarra. É equalizado para evitar que os graves embolem nas notas rápidas. Com distorção, ele entrega um timbre líquido, aveludado e cremoso, essencial para arpejos e legatos fluidos no estilo Edu Ardanuy.

Volume e Tone Master: Menos botões = mais velocidade. O Volume atua como seu controle real de distorção (limpando o som sem pisar em pedais), e o Tone funciona como um filtro para amansar frequências estridentes em qualquer amplificador.

O Veredito: Para quem é a E1 Asphalt Ripper?

A Tagima E1 Asphalt Ripper não é apenas uma homenagem visual de 40 anos da marca. É uma ferramenta de precisão científica. Se você precisa de uma guitarra com estabilidade mecânica inquestionável para o palco, conforto absoluto para técnicas rápidas e uma versatilidade elétrica que vai do Metal Extremo ao Pop limpo em uma “fração de segundo” na chave, esta é a sua máquina.

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Nosso Grande Diferencial: Não entregamos a guitarra “na caixa fechada”. Todos os instrumentos encomendados conosco passam por uma revisão minuciosa e regulagem personalizada feita pelo nosso Guitar Tech em Jundiaí – SP antes do envio. Você recebe a guitarra com as cordas na altura perfeita, oitavas cravadas e braço hidratado, pronta para o palco.

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